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Juíza cita “raça” em sentença para condenar homem negro no Paraná

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Inês Marchalek Zarpelon, juíza da 1ª Vara Criminal de Curitiba, faz alusão a raça do réu em sentença que o condena.

Juíza condena a 14 anos e dois meses de prisão, em primeira instância, Natan Vieira da Paz, de 48 anos, por furtos e organização criminosa em Curitiba, no Paraná. A magistrada, em sua sentença, faz referência a raça do réu por três vezes, atrelando ela as práticas criminosas do sujeito.

“Seguramente integrante do grupo criminoso, em razão da sua raça, agia de forma extremamente discreta os delitos e o seu comportamento, juntamente com os demais, causavam o desassossego e a desesperança da população, pelo que deve ser valorada negativamente (sic)”, escreveu a juíza.

Sentença cita "raça" para condenar homem negro.
Sentença cita “raça” para condenar homem negro.

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A sentença, publicada em junho, só foi recebida por notificação pela defesa de do réu nesta terça-feira (11).

O caso foi pauta de discussão na manhã desta terça-feira (11) no Conselho Nacional de Justiça (CNJ)

Defesa

A advogada de Natan, Thayse Pozzobon, expôs em sua rede social uma nota, expondo seu total repúdio a forma como foi escrita a sentença pela juíza, alegando racismo.

“Associar a questão racial à participação em organização criminosa revela não apenas o olhar parcial de quem, pela escolha da carreira, tem por dever a imparcialidade, mas também o racismo ainda latente na sociedade brasileira”, afirmou a advogada.

Thayse ainda expôs que o Poder Judiciário deve, além de aplicar a lei, reduzir as desigualdades éticas, sociais e raciais.

A defesa vai recorrer da decisão e abriu representação na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).O Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR) afirma ainda que o caso será apurado pela Corregedoria.

 

 

 

 

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