PREFEITO RAIMUNDO NONATO BONA por Celson Chaves




PRIMEIRO GOVERNO

Fiz a minha parte. Muitas coisas certas e também erradas. Coisas que deveria ter tomado às providências no início do meu governo, mas deixei para tomar mais para frente. As falhas são normais, pois não somos perfeitos. Bona Carbureto, 1992.

 

Membro de família política mais tradicional da cidade, Raimundo Nonato Bona entrou na vida pública aos 30 anos, por incentivo do pai e do seu mentor político José Olímpio da Paz de quem herdou o carisma e o traquejo populista. Jovem, cedo abandonou os estudos para dedicar-se ao comércio, seguindo a profissão do pai na venda de carne de Campo Maior para Teresina, onde estabeleceu um pequeno frigorífico. Ao longo da carreira política envolveu-se em várias confusões. Foi sinônimo de polêmica. Seu caráter impetuoso rendeu-lhe o apelido de “Carbureto”, matéria química do qual deriva várias outras substâncias e produtos, incluindo o “carbureto de cálcio” que é explosivo.

Bona Carbureto nasceu em Campo Maior no dia 29 de agosto de 1946. Filho de José Bona e Delzuita de Carvalho Correa Bona. Casou-se a primeira vez, em 15 de julho de 1970, com Ivone Maria de Melo Bastos Bona. E vive hoje, com Elis Gardênia Bandeira Pereira.

Prefeito Raimundo Nonato Bona

Elegeu-se pela primeira vez a vereador, em 1976, pelo partido da Aliança Renovadora Nacional (ARENA), e foi reeleito, em 1982, pelo partido Democrático Trabalhista (PDT). Venceu a eleição de prefeito, em 1988, desbancando o candidato do deputado Cézar Melo, Antônio Antenor Lima Soares. Em 1994, pelo partido da Mobilização Democrático Brasileiro (PMDB) elegeu-se a deputado estadual. Tentou mais uma vez a reeleição de deputado, mas foi barrado pela justiça. Mesmo impedido pelo sistema, indicou e conseguiu eleger para deputado a cunhada Margarida Melo Bona, irmã do seu maior adversário, Cézar Melo. Em 2000, conquista pela segunda vez a chefia do executivo municipal, numa impressionante vitória contra o candidato do então prefeito Dr. Antônio Lustosa, o vereador e atual presidente da Câmara Sena Rosa.

Sua passagem pelo legislativo municipal foi conturbada. Marcada por badernas e xingamentos. O clima das sessões era tenso e perigoso. Havia brigas e bate-bocas.  As discussões eram agressivas, a ponto de parlamentares jogarem copos uns nos outros, houve caso de disparo de arma de fogo sobre o teto da Câmara. Bona Carbureto chegou a sofrer agressões físicas por conta da política. Foi nesse período que ele ganhou a fama de valentão e louco pelos adversários.

Foi o prefeito a administrar Campo Maior antes do último desmembramento territorial do município com o processo de emancipação política dos povoados, hoje cidades: Sigefredo Pacheco, Nazaré, Boqueirão, Jatobá e Cocal de Telha. Mesmo sendo emancipado no último ano do governo de Carbureto, o primeiro prefeito do município de Sigefredo Pacheco assumiu o comando da cidade apenas em 1993.

Projetou-se na vida pública, seguindo o estilo populista do seu tutor político, José Olímpio da Paz. Fez do assistencialismo uma verdadeira máquina de voto. Por conta disso, alcançou rapidamente a imagem de amigo dos pobres. O político Bona Carbureto era um homem de várias facetas. Pelo estilo paternalista, explosivo, caricato e desbocado, seu nome caiu facilmente na boca do povo. Soube como poucos tirar proveito dos conflitos em que se envolveu. O populismo de Bona Carbureto foi construído não apenas por uma rede de favores e doações, como também pelos discursos apelativos emitidos pela TV, rádio, jornal impresso e comícios. Por conta das falações inflamadas acabou sofrendo inúmeros processos.

Ressaltam-se algumas realizações do seu primeiro mandato: construção de calçamento, pontilhão e pequenas galerias nas ruas dos bairros Flores, Cariri e Santa Cruz; recuperação do controle administrativo e operacional do SAAE, bem como ampliação e interligação da rede de distribuição de água; urbanização do açude grande com a construção do paredão e do primeiro calçadão (em volta da lagoa) para passeio de pedestres e ciclistas; reforma da Praça Cícero Correia Lima (atual Valdir Fortes) e do Terminal Rodoviário “Zezé Paz”; reforma e construção de creches, postos de saúde, escolas e estradas carroçais dos principais povoados; criação de escolas de 1º grau (atual ensino fundamental maior) nos povoados, hoje cidades de Cocal de Telha, Jatobá, Nazaré e Boqueirão; ponte de madeira no bairro Água Azul; aquisição de dois ônibus para transporte universitário (Marinete); instalação de televisores nos bairros carentes da cidade; construção da praça do povoado Boqueirão.

Pela primeira vez houve avanço na implantação de uma política cultural em Campo Maior, graças ao apoio de vereadores (Guido Gayoso Castelo Branco), empresários (coronel Otávio Miranda) e escritores (Arimatéia Tito Filho). Contudo, parte dos projetos culturais aprovados na Câmara e sancionados pelo prefeito Bona Carbureto, como a criação do Arquivo Municipal, a implantação do ensino de história e geografia nas escolas municipais (Lei Orgânica), o Memorial Senador Sigefredo Pacheco entre outros, infelizmente nunca saíram do papel. A construção do Memorial Monsenhor Mateus Cortez na Praça Bona Primo foi concretizado pela força da iniciativa particular e da sociedade, com o apoio de grupos da Igreja Católica.

Outra marca do governo de Bona Carbureto, desta vez um retrocesso, foi o reforço da cultura nepotista na gestão pública. Ele empregou na prefeitura cinco irmãos (dois secretários municipais e três distribuídos em funções de assessorias ou diretorias), uma sobrinha na chefia do gabinete de prefeito (atual cargo de secretário de relações institucionais), um cunhado e a esposa como secretária de assistência social (antigo SERSOM).

Por causa do temperamento explosivo teve dificuldade de convivência com o legislativo. Alegava que não iria comprar nenhum vereador para garantir a governabilidade: “Deixamos o Poder Legislativo Municipal totalmente livre para seu julgamento”, disse ele em entrevista ao jornal Primeira Página. Alguns parlamentares que iniciaram ao seu lado terminaram na oposição. O Governo perdeu peças importantes em cargos de primeiro escalão da administração, caso da saída de Raimundo Nonato Andrade da secretaria de educação. O professor Raimundinho Andrade assumiu a pastar da educação com a missão de melhorar os índices educacionais do município. Era um intelectual de sólida formação, experiente como educador e gestor público. Ele renuncia o cargo para apoiar a candidatura de Kleber Eulálio a deputado estadual. Além de vereador(es) e secretário(s), o vice-prefeito também rompeu com Bona Carbureto. Foi uma gestão tumultuada do ponto de vista político.

Bona Carbureto sofreu dura oposição de César Melo e de seu grupo de vereadores, mídia e comunicação.

Se eu fosse um prefeito igual àquele que passou [Cézar Melo] em Campo Maior, talvez eu tivesse a coragem de fazer a mesma coisa que ele fez no passado. Condenei a forma dele administrar, condenei suas ações e por isto, ao ter chegado ao poder não poderia praticar as mesmas coisas que eu havia condenado. (Primeira Página. Campo Maior, 17 de novembro de 1992. Carbureto dá entrevista exclusiva à Primeira Pagina).

As farpas entre as duas maiores lideranças da terra dos carnaubais eram intensas. A maioria dos discursos, de ambos os lados, era carregada de provocações, acusações, às vezes incitavam a violência, o preconceito aos homossexuais e o ódio. Os jornais de oposição (Folha do Norte) e os de situação (Tribuna dos Heróis e Primeira Página) provocavam verdadeiro “terrorismo jornalístico”.

Eu gostaria de engrandecer Campo Maior da mesma forma que eu prometi no palanque. Todavia, isto não foi possível devido às perseguições de que fomos vítima. Perseguições que doíam na pele. Quase me matam de raiva. (Primeira Página. Campo Maior, 17 de novembro de 1992. Carbureto dá entrevista exclusiva à Primeira Pagina).

A oposição jogava pesado contra Bona Carbureto. O acusava de todos os tipos crimes. Enriquecimento ilícito foi um deles.  Da tribuna da Câmara, Osvaldo Antônio Ibiapina chegou a chamá-lo de “prefeito ladrão”  (Ata da Sessão Ordinária da Câmara Municipal de Campo Maior, 27 de março de 1990).                          

Por conta de irregularidades, teve as contas do ano de 1991 reprovadas por unanimidade pela Câmara. Havia acusações e denúncias graves que levaram os 13 vereadores a reprovarem as contas de Bona Carbureto, a principal foi desvio de recursos e bens da prefeitura.  Ele foi taxado de “Rei das notas frias”. Não apenas as denúncias, mas as faltas de trajeto político com os vereadores e o rompimento com Marco Bona contribuíram para o processo de reprovação dos balancetes da gestão de Bona Carbureto, em 1993.

Diploma de desonra emitido pela Câmara Municipal de Campo Maior-1993.

Vereadores da situação e Carbureto acusavam Cézar Melo de atrapalhar a gestão, principalmente junto ao governo estadual e federal. O deputado Cézar por sua vez retrucava e dizia que a incompetência, a ingerência e a falta de habilidade política do prefeito dificultava o trato com a coisa pública.

Houve momentos em que a consciência de Carbureto falou mais alto e teve a humildade em admitir que parte dos erros cometidos durante a gestão foi sua. Os discursos sobre a gestão tinha como parâmetro de comparação a administração anterior (Cézar Melo). A ideia era colocar para opinião pública o quanto Campo Maior tinha melhorado com o governo Bona. Contudo, havia mais semelhanças que diferenças entre as gestões de Bona Carbureto e Cézar Melo.

Foi com muita dificuldade que fiz a minha administração e com pessoas humildes que procurei ajudar, mas não deixo nada para alguém me pegar. Ficará sim, algumas contas a pagar, porquanto, na verdade, no período  de quatro anos, pagamos contas enormes do meu antecessor e dificilmente, não poderia deixar algumas contas (Primeira Página. Campo Maior, 17 de novembro de 1992. Carbureto dá entrevista exclusiva à Primeira Pagina).

A década de 1990 foram anos difíceis para o Brasil. Períodos de hiperinflação. Vários presidentes da república tentaram conter a sangria, porém a maioria falhou.  Muitos planos econômicos e poucos resultados. O país retomou estabilizar financeira com o plano real, a partir de 1994.

O combate ao desemprego e a fome foi à meta e desafio dos prefeitos da década de 1990. Depois de um período de prosperidade, Campo Maior estava empobrecida. Um dos efeitos desse estado de pobreza na cidade foi o aumento da mendicância, da prostituição e roubos. O vereador Edvaldo da Silva Lima chegou a solicitar medidas para resolver a “situação de miséria e de fome que o povo da periferia está passando e sugeriu ao senhor prefeito que procurasse, da melhor maneira possível fazer com que as crianças que estão famintas tivessem pelo uma refeição por dia. Pediu união dos vereadores no sentido de elaborarem um documento e enviá-lo ao senhor prefeito para que ele possa retirar recursos de algum lugar e oferecer alimentação para as crianças (Ata da Sessão da Câmara Municipal de Campo Maior, 05 de novembro de 1991).

Em 1992, o município passou por mais um surto epidêmico, desta vez de diarreia ocasionada pela insuficiência alimentar e falta de saneamento básico nos bairros mais pobres. No mesmo ano, surgiram os primeiros casos do vírus HIV na cidade, e os mais segredados foram os homossexuais e as prostitutas.

Apesar da popularidade de Bona Carbureto, a insatisfação do servidor público era grande por conta de atrasos e baixos salários. Funcionários chegavam à ganha meio salário. A inflação corria o rendimento do trabalhador, consequentemente o poder de compra. O prefeito priorizava obras em detrimento do funcionalismo público. Os vereadores de oposição aproveitam essa situação para atacar o governo. A antiga Associação dos Professores do Município de Campo Maior (APROMUCAM) entrou na luta, buscando dialogar com a gestão, objetivo era encontrar soluções para melhorar o salário e as condições de trabalho dos educadores. No plenário da Câmara, o professor Joaquim Cantuário manifestou a esse respeito, ao dizer:

[…] Que os poderes constituídos são independentes entre si, e como tal o poder legislativo tem o dever de fiscalizar os atos do poder executivo em qualquer instância. Como também o de defender os direitos e interesses dos diversos segmentos da sociedade. e, é baseado neste princípio que os professores do município representado pela sua entidade de classe, Associação dos Professores do Município de Campo Maior (APROMUCAM) estão aqui para tecer alguns comentários sobre o momento atual por que passa a educação do município de Campo Maior e, sobretudo no que diz respeito a remuneração dos professores. Em seguida o presidente da APROMUCAM convidou a professora Nazaré Pereira para dar o testemunho de como anda a situação na comunidade Matinhos. A professora disse que tem trinta e três anos de serviço, quer se aposentar, mas não tem quem queira ocupar o seu lugar, devido o salário que não compensa. E pediu, ao presidente desta casa e demais vereadores, ajuda no sentido de melhorar a situação dos professores, principalmente no que diz respeito à remuneração. Em seguida usou da palavra a professora Francisca, da comunidade Alto do Meio, que pediu o apoio dos vereadores nesta luta. Em seguida o presidente da APROMUCAM voltou a falar e disse que não é sensacionalismo, mas sim, mostrando a situação concreta em que se encontra a educação do município de Campo Maior. Lamentou a falta de compromisso por parte dos vereadores que faltaram a esta sessão, e disse que estavam aqui para reivindicarem seus direitos, e o que está faltando é apenas a boa vontade dos políticos. O palestrante colocou-se a disposição dos vereadores (Ata da sessão ordinária da câmara municipal de campo maior, 13 de maio de 1991).

A politicagem e a desorganização no serviço público eram grandes. Muitos assinavam recibos em branco. A maioria era contratada. As garantias trabalhistas foram poucas. Mesmo com a promessa de abonos e ajuste salarial, o prefeito não conseguiu acalmar os ânimos dos empregados. Com atraso no pagamento houve greve. Para diminuir a tensão, realizou-se concurso público para o SAAE. Pressionado, Bona Carbureto reajustou salários, mas apenas para parte do funcionalismo.

A resistência do prefeito em não aumentar o salário dos professores motivou enxurrada de discursos na Câmara. O vereador Raimundo Pereira Neto “disse ao vereador Flávio que para a campanha do professor em Campo Maior, seja mais forte ele tem que levar o nome dos políticos para os palanques e dizer o que eles estão fazendo. Disse que o momento não é de se fazer moção de repúdio e sim de se dar aumento para o funcionalismo e disse para os professores abandonarem seus empregos por não ser admissível ganharem tão mal. (Ata da Sessão Ordinária da Câmara Municipal de Campo Maior, 25 de maio de 1992).

Até os vereadores sofriam com atrasos no pagamento e baixos proventos. Havia acusação por parte da oposição, que parlamentares ligados ao governo recebiam os rendimentos “por debaixo dos panos”. Sem recursos, a Câmara passou por um processo de sucateamento.

A CRISE POLÍTICA COM OS UNIVERSITÁRIOS

Não bastasse a fraca articulação política na Câmara, Bona Carbureto ainda se envolveu numa debate feroz com membros da Associação Universitária de Campo Maior (AUCAM) por conta de demandas estudantis como regularização na entrega de passes para transporte universitário. Foi uma relação desgastante a ponto de haver bate-boca com tons depreciativos e debochados entre prefeito e estudantes. A imprensa oposicionista aproveita a situação para colocar mais lenha na fogueira, procurando corroer a imagem do prefeito perante a opinião pública.

Raimundo Bona Carbureto foi à sede da AUCAM, Associação Universitária de Campo Maior, anunciar aos alunos que frequentam a faculdade em Teresina de que não mais seriam necessários vales para que os universitários se deslocassem através dos ônibus da prefeitura popularmente conhecidos por ‘Marinete’. Os estudantes de História Valtéria Alvarenga e João Batista Júnior discordaram do prefeito, alegando que Carbureto está praticando politicagem barata e que aceitar a liberação seria paternalista demais. ‘o acadêmico Júnior chegou até mesmo a mandar Carbureto calar a boca’ disse Paulo Negreiro, 29 anos, assessor do prefeito (Folha do Norte. Coluna Segundo Caderno. 2ª quinzena de setembro de 1991. Acadêmico manda Carbureto calar a boca).

O jornal abusou do fato ocorrido para explorar o lado debochado do prefeito para com o casal de universitários. Relata a reportagem que os estudantes Valtéria e Júnior foram suspensos temporariamente de viajar na marinete por enfrentar Bona Carbureto. Na tentativa de desviar o foco e aliviar a pressão, o governo começou a transferir parte da culpa para o deputado Cézar Melo, acusando-o de tentar sabotar o transporte estudantil para capital.

As reivindicações dos universitários também recaiam sobre a Câmara Municipal. Sessões Legislativas debateram questões relacionadas à demanda universitária com divisões de opiniões e sugestões.

O vereador Benício Barros […] com relação à questão da AUCAM, disse que dizem que os passes estão sendo distribuídos na casa do prefeito é uma grande mentira, pois a prefeitura tem sala própria para esse fim (Ata da sessão ordinária da câmara municipal decampo maior, 07 de novembro de 1989).

“O vereador Raimundo Pereira Neto […] fez críticas aos estudantes da AUCAM, pelas críticas de que foi vitima pelo jornal da citada entidade” (Ata da Sessão Ordinária da Câmara Municipal de Campo Maior, 07 de maio de 1990.)

O vereador Guido Gayoso Castelo Branco[..] Disse mais uma vez que é favorável a compra dos ônibus, mas que o projeto de lei deve vir para esta casa corretamente com os valores dos ônibus, defendeu que os funcionários também devam ser beneficiados. (Ata da Sessão Ordinária da Câmara Municipal de Campo Maior, 27 de março de 1990).

O vereador Flávio Bona Andrade […] Disse que é a favor do ônibus dos estudantes, mas que o senhor prefeito mande o orçamento (Ata da Sessão Ordinária da Câmara Municipal de Campo Maior, 27 de março de 1990).

A ASSEMBLEIA MUNICIPAL CONSTITUINTE DE 1989.

No dia 5 de outubro de 1988, o Brasil voltava à normalidade democrática com a promulgação de uma nova Constituição Federal (CF). Um ano após a Carta Magna foi aprovada a Constituição do Estado do Piauí (5 de outubro de 1989) e seis meses depois foi à vez da Lei Orgânica Municipal de Campo Maior (5 de abril de 1990). A elaboração da nossa Constituição Municipal contou com assessoria jurídica do advogado Ribamar Coelho e do economista Ricardo Reis, houve participação da sociedade e de instituições campo-maiorenses na construção da nossa lei maior.

 QUESTÃO DA SECA

Campo Maior enfrentou uma forte estiagem em 1992. A seca aprofundou a crise social provocada pela crise econômica por conta da hiperinflação. As maiores vítimas foram os mais pobres da cidade e o homem do campo desprovido de assistência governamental. A seca provocou o aumento no número de doenças e de pessoas passando fome. Diante da lerdeza da gestão em promover ações de ajuda, o vereador Edvaldo da Silva Lima desabafa no plenário da Câmara ao dizer:

Nós estamos vendo regiões que o pessoal está carregando água com distância de cinco e seis quilômetros pegando água nos rios, água suja, consequentemente o povo está todo doente, eu já até disse para alguns colegas que se eu tivesse um medicamento chamado nizoral para combater as verminoses e os panos brancos que tem por aí, por consequência da água impotável, eu não precisava mais fazer nada, só dar nizoral para o povo e eu estava eleito, […] Senhor Presidente, o povo está doente por falta de responsabilidade dos nossos governantes. […] nós que andamos pelo interior e que conhecemos a situação do povo, o povo está com sede, o povo está com fome, o povo está doente, enquanto o prefeito municipal está tranquilo com dinheiro no bolso, comendo uma carne boa, se hospedando em hotel cinco estrelas de quinze em quinze dias no Rio de Janeiro, São Paulo ou Brasília, gastando o dinheiro do povo, levando sua esposa para os Estados Unidos e vai levar agora novamente, aproveitar o poder, às custas do povo, já tive informações fidedignas porque já está de malas e bagagens para os Estados Unidos, Disney Word (Ata da Sessão Ordinária da Câmara Municipal de Campo Maior, 25 de agosto de 1992).

Ações foram tomadas no sentido de aliviar o sofrimento do homem do campo. Os vereadores de oposição foram implacáveis na fiscalização dos recursos e estratégias montado pelo prefeito para atender o mais necessitados. Eles acusavam Carbureto de transformar “doações de alimentos” numa ação mais personalista que institucional.  As frentes de serviços contra seca acabaram transformando-se em verdade “fábrica temporária” de empregos para cabos eleitorais, apaniguados e apadrinhados políticos.

Pela quantidade de obras e serviços prestados, podemos considerar a primeira administração de Bona Carbureto regular. Em entrevista ao jornal Primeiro Página, o mesmo desabafa dizendo que o tempo é o senhor da razão e que seus serviços prestados a cidade serão reconhecidos no futuro: “O tempo vai mostrar que Carbureto correspondeu com obras, responsabilidade, sinceridade e dignidade”. Reside aí o desejo de que a história e não a crítica ofereça o veredito final sobre a real contribuição dele como gestor.

FONTE CONSULTADA

CANTUÁRIO, Joaquim Luiz. Trajetória dos Movimentos Sociais de Campo Maior: avanços e retrocesso. Campo Maior -PI, edição do autor, 2015.

CHAVES, Celson. História Política de Campo Maior. Campo Maior-PI, edição do autor: 2013.

CHAVES, Celson. História da Educação Campo-Maiorense: políticas educacionais da Prefeitura de Campo Maior (1945-1975). Campo Maior, edição do autor. 2012.

LIMA, Reginaldo Gonçalves. Geração Campo Maior: anotações para uma enciclopédia. Campo Maior-PI, edição do autor, 1995.

SANTOS, José Lopes dos. Piauí: a força do Poder Municipal. Teresina, 3º v., 1989,

A Luta. Campo Maior, 13 de agosto de 1978.  Nota de esclarecimento do vereador João Alves Filho.

Primeira Página. Campo Maior, 17 de novembro de 1992. Carbureto dá entrevista exclusiva à Primeira Pagina.

Folha do Norte. Coluna Segundo Caderno. 2ª quinzena de setembro de 1991. Acadêmico manda Carbureto calar a boca.

https://www.gp1.com.br/pi/piaui/noticia/2019/2/12/ex-prefeito-bona-carbureto-e-condenado-a-7-anos-e-6-meses-de-prisao-448792.html

https://pensarpiaui.com/noticia/joaozinho-felix-e-carbureto-revivem-a-campo-maior-do-passado.html

http://portalcmn40graus.com.br/19532/

https://www.youtube.com/watch?v=ngSaD-zXpAs

https://www.portalr10.com/noticia/34501/ex-prefeito-bona-carbureto-sera-pre-candidato-a-prefeito-de-campo-maior

https://www.portallider.com/2014/06/tunel-do-tempo-os-historicos-jingles-politicos-do-ex-prefeito-carbureto/

https://www.45graus.com.br/geral/ex-prefeitos-de-campo-maior-brigam-por-terreno-na-justica

 

 

 

 

 


 

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